Mostrando postagens com marcador orgasmo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador orgasmo. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Mr. HardCock nunca teve um Orgasmo!

Fomos desafiadas. E ninguém desafia as Damas e sai impune. O companheiro do blog vizinho, Max Reinert, do Pequeno Inventário de Impropriedades, comentou que o orgasmo masculino também não era exatamente como estávamos pensando... é claro que ele teve que pagar pela língua virando nosso escravo e escrevendo para nós um texto especialísssimo, exclusivo, que você lê abaixo. Como somos magnânimas, para não deixá-lo na mão, o texto mais novo das Damas do Podres Pudores pode ser lido no blog dele... quer um conselho? Não se contente apenas com um, leia os dois!

Mr. Karl HardCock era um cara legal.

Gostava de seu sobrenome. Gostava do sucesso que fazia com as mulheres. Gostava de vê-las delirando e gemendo sob/sobre ele. Sua vida era feliz.

Mas, um dia, Mr. HardCock conheceu uma menina diferente. Nada anormal não. Só que durante o sexo ela pediu um pouco mais de calma, depois um pouco mais de força, depois um outro ritmo, depois olhou nos olhos dele sem fazer nenhum escândalo e nem gritar "oh, yes", depois fez coisas que Mr HardCock nunca tinha presenciado. Mr HardCock ficou um pouco confuso, mas entrou no clima e foi tentando se habituar aos novos procedimentos. Mr HardCock já logo pensou que seria uma das melhores gozadas de sua vida. Aos poucos Mr HardCock começou a sentir desejos que nunca tinha sentido antes. Mr HardCock teve vontade de sugar a alma da menina pela boca. Mr HardCock teve vontade de fundir-se com ela. Imaginou que seria ótimo se pudessem realizar algum tipo de reação nuclear. Quando a menina puxou-o pela nuca e lhe mordeu o ombro, Mr HardCock lembrou-se de um documentário da Discovery sobre lobos acasalando. Quando a menina pediu - Me bate! - Mr HardCock sentiu-se um carrasco aplicando a sentença mais cruel do mundo. Quando Mr HardCock pediu também - Me bate! - o tapa que levou percorreu desde o abdômem, o local do impacto, até o cérebro com uma lerdeza que ele nunca havia visto antes. Pôde sentir todo o caminho dos impulsos elétricos por dentro do seu corpo. E pôde sentir que a menina parecia saber qual caminho era esse, pois o caminho percorrido por sua língua era idêntico e também elétrico.

Mr HardCock sentiu-se o homem mais poderoso do mundo durante esta transa. Mr HardCock sentiu-se o homem mais vulnerável do mundo durante esta transa. Realmente, esta seria a melhor gozada de sua vida!

O encontro entre Mr HardCock e a menina seguia oferecendo novidades. Não era nada estranho nem pervertido ao extremo. A diferença não estava no que faziam e sim no como faziam. Mr HardCock nunca entendeu o que aquela menina havia despertado nele. Parecia algum tipo de reação química entre os dois. Não era amor, nem nenhuma fantasia romântica. Mas, não podia deixar de sentir que nunca esteve tão próximo de outra pessoa quanto naquele momento. Os pensamentos de Mr HardCock não paravam no lugar.

Mas, não pensem que ele estava desconcentrado. Sabia muito bem o que estava fazendo. A menina também estava vivendo um momento interessante, pelo menos era o que seus olhos diziam, embora de sua boca saíssem alguns xingamentos e outros ruídos ininteligíveis.

E foi então que aconteceu. Mr HardCock sentiu que a ejaculação se aproximava. Bom, na verdade já fazia um tempo que a ejaculação estava aproximando-se, mas essa era a ultima aproximação, aquela que ele sabia que não iria conseguir conter. Mr HardCock avisou a menina. Ela disse apenas - Eu também. Mr HardCock então se liberou para o gran-finale. A menina também. O ritmo tornava-se algo vertiginoso. Mr HardCock assustou-se um pouco quando percebeu que não conseguia mais respirar. Assustou-se um pouco mais quando sentiu uma contração absurda no abdômem, nada que já tivesse sentido antes. Seu coração também se acelerou absurdamente. Ele reconhecia os sinais, mas desta vez parecia tudo extremamente ampliado. Em seguida, deixou de sentir as pernas, o que fez com que desabasse sobre a menina. Ela gemeu e sorriu. Um sopro de ar preencheu seus pulmões. As contrações em seu corpo começavam a diminuir de intensidade. Mr HardCock ficou um pouco preocupado, pensando que não havia ejaculado. Retirou cuidadosamente o pênis de dentro da menina e ao retirar a camisinha percebeu que tudo havia acontecido normalmente, ou pelo menos quase!

Deitaram-se lado a lado. Mr HardCock sentiu, pela primeira vez, um sono tremendo. Como se estivesse completamente sem energia. logo ele que sempre se gabara de estabelecer uma conversa interessante após o sexo. Olhou para a menina e viu que ela respirava tranquilamente, com os olhos semi-serrados. Tentou falar alguma coisa, ela simplesmente disse - Shhhhh.... e virou de costas, puxando a mão dele para perto do seio. Ele envolveu-a com os braços, misturou seus pés com os dela, beijou-a na nuca e adormeceram. Tranquilos.

Encontraram-se mais cinco vezes depois. O sexo era sempre assim, incrível. Mas, não combinavam no resto. Na política. Nos ideais. No gosto das roupas. Não conseguiram estabelecer uma relação. Sentem carinho um pelo outro e tesão, muito tesão. Mr HardCock, quero dizer, Karl, que é como ele se apresenta agora, já encontrou outras parceiras que o fizeram sentir isso aí de cima. Às vezes não encontra. Às vezes é apenas legal, com esforço de ambos os lados. Mas Karl não sente culpa. Ele sempre se entrega à batalha.

Mr Karl HardCock nunca havia tido um orgasmo. Até aquele dia.

By Max Reinert

terça-feira, 31 de julho de 2007

Os cata-ventos

- Então, meninas, é isto. Vocês aceitam me ajudar?

As quatro mulheres à frente de Débora se entreolharam, tentando ler os semblantes umas das outras para saber se topavam ou não. Liliane, a prima, interveio e salvou a situação com as amigas: - Vamos fazer o seguinte: fala quem quiser. A Débora precisa da gente pra reportagem dela, mas ninguém é obrigada a nada. Quem não estiver a fim, fica quieta e curte a bebida e o papo. Eu começo. Débora quase levantou as mãos em louvor à prima que os deuses colocaram em sua vida. Sete anos mais velha, descolada, independente, morando com o namorado, Liliane era tudo o que a jornalista queria ser. - Eu tinha 15 anos – começou – Queria que minha primeira vez fosse com o namorado da época, o Serginho, lembra dele? Pois é. Dois dias depois do meu aniversário, estava sozinha em casa, ele apareceu. E foi. - Foi bom? - Depende. Foi legal, ele me tratou bem, não senti dor. Mas também não senti nada. Os meses passaram, a gente fazia, fazia... ele revirava os olhos, gemia e pronto. Eu, nada. Podia dormir que não faria diferença. - Nada de prazer? - Não. A gente transava há oito meses e nada. Eu achava que fosse comigo. Até que um dia, fui à festa de uma vizinha que havia passado no vestibular. Festa sem pais, galera mais velha, eu sozinha... tinha um cara lindo lá, quatro anos mais velho que eu. Não parava de me olhar. Eu me sentia despida com aqueles olhos me seguindo, mas gostei. Daí, fui ao banheiro, no andar de cima. Quando abri a porta para sair, dei de cara com ele. Me beijou, me deixou em brasa. Entramos em um dos quartos. Nem conversamos, ele me atirou na cama, e me arrancou as roupas. Parecia um bicho. Quando ele tirou as calças, não consegui dar um pio: era enorme! Botou a camisinha e imediatamente meteu em mim. Quis gritar, doeu fundo e fino, mas foi ficando bom. Depois de um tempo, gritei mesmo, mas de prazer. Parecia que o mundo girava cada vez mais rápido, rodopiava. - Como um cata-vento! – completou Giovanna. – Também foi a sensação que tive. - Foi muito bom – continuou Liliane – Depois, ainda nos vimos outras vezes, mas acabou. Serviu para descobrir que gosto de um pouco de violência, de tesão desenfreado. Papai e mamãe não me faz gozar. Elas levaram tempo para voltar a si, lembrando das próprias experiências. Carol tomou a palavra. - Comigo foi bem diferente. Namorava fixo, tinha 17 anos. Tentamos transar desde agosto, mas eu não conseguia, sentia muita dor. Pensem: eu era uma virgenzinha indefesa, e ele tinha 19 cm. Sim, eu medi! – disse ela, diante da expressão estupefata das outras – Só dois meses depois consegui relaxar e rolou. Foi bom, mas só. Não vi estrelas, o quarto não rodou, não houve fogos de artifício.
- Nem cata-ventos? - Nem cata-ventos. Continuamos transando... depois de um mês, eu senti alguma coisa a mais e gostei do negócio. Mas pra mim, não era um orgasmo. Passaram mais quatro semanas até que, conversando com uma amiga, ela me descreveu como era chegar lá. Pensei: “que legal! Gozei e só descobri um mês depois!”.
Risos altos, elas chamaram a atenção dos ocupantes das mesas próximas. Todos homens. Débora pensava: “Aiai, eles estão ouvindo!”. E depois, “Dane-se. Todo mundo goza. E quem não goza, deveria”. - O que você esperava, Carol? - Sei lá. Fogos. Cata-ventos. Algo que fosse muito maior. Mas ficou maior com o passar do tempo. É como girar cada vez mais rápido, de braços abertos, sozinha em uma planície. Como um pião.
Engraçado. Era a segunda vez que usavam um brinquedo para descrever a sensação de orgasmo. De repente, deu-se conta do quanto eram todas jovens. Entre ela e a mais velha, apenas sete anos de diferença. E agora, discutiam a magia mais antiga do mundo. Como se fossem crianças de brinquedo novo. - Já eu passei um bom tempo só gozando com uma boa chupada – Giovanna, 28 anos, tinha que ser ela. Bem que parecia ter cara de puta. Falava alto, chamou ainda mais a atenção – Perdi a virgindade aos 18. Já me masturbava antes, até sentia algum prazer, mas nada de parar o mundo. Era feinha, demorei a perceber que causava interesse nos outros. Então, quando me vi com 18 anos, na faculdade, ainda virgem, entrei em desespero. Dei pra um cara que nunca tinha visto, num dos forrós universitários. Ele tava bêbado, não ia lembrar pra contar pra ninguém. Foi num banco de carro. Horrível. Só gozei pela primeira vez um ano depois, quando transei com uma garota. Fui porque quis ser moderna, acabei adorando. Ela me fez um oral maravilhoso, eu ia às nuvens. Também transei com outras garotas, até me acertar com os rapazes. Transei com homens, mulheres, vários ao mesmo tempo. Hoje, estou há dois anos com a Clara. O melhor orgasmo da minha vida! A mulher mais linda que já vi... Ficou um tempinho em silêncio, os olhos marejados. Não, ela não era puta. Só se forçava pra parecer descolada. Como se sexo não tivesse importância, amor não existisse. Não passamos todas por fases assim? De experimentação, de galinhagem. Até descobrir que ficar presa nos olhos de alguém é a melhor coisa que pode acontecer. Ficaram pensando a respeito de amor, até que Sarah soltou:
- Já eu gozei antes de perder a virgindade... Olhares atônitos. O bar inteiro esperava os detalhes sórdidos. - Eu dava amassos mais fortes nos ficantes desde os quinze anos. Um deles uma vez fez alguma coisa com os dedos que até hoje não consegui descobrir exatamente, mas era bom demais! Foi assim que tive meu primeiro orgasmo. Depois perdi a virgindade, transei com outros caras, e nada. Só tive outro orgasmo quando reencontrei o mesmo ficante da masturbação. - Nossa, que dedos mágicos! - Pois é. E foi na mosca. Gozei de novo. Achei que o melhor era transar com ele pra ver se eu sentia alguma coisa. Daí, foi! Finalmente o cata-vento! - E continua sendo difícil gozar? - Que nada! Depois que aprendi, gozo rapidíssimo. Melhor que um coelho! O Lauro tem dificuldades em me manter interessada depois que gozo... foco, meninas. Tudo é uma questão de foco!! - Então... um brinde ao cata-vento! Levantaram os copos, só para ter uma surpresa: o bar inteiro, discretamente, brindou com elas. Ao cata-vento. Débora saiu do bar com a cabeça leve, o corpo flutuando. Bêbada, evidente. Mas também com uma vontade... do táxi, ligou para o namorado e o chamou para encontrá-la em casa. A noite seria de muitos cata-ventos.

Panela velha é que faz comida boa?

O orgasmo masculino é explícito, evidente e líquido. O feminino é um mistério, inclusive para muitas de nós. Mas, por incrível que pareça, a tendência é que, conforme os anos passam, as névoas se dissolvam um pouco mais... Além de repleto de mistérios, nosso prazer foi vitima de preconceitos durante toda a história. Já começa com a lenda de Lilith, a primeira mulher de Adão, que teria sido expulsa do Paraíso porque não aceitava ser passiva durante as relações sexuais. Pode? O pior é que a perseguição cristã ao gozo feminino não ficou por aí: na Idade Média, as mulheres que “chegavam lá” eram consideradas bruxas e iam direto pras chamas (da fogueira e do inferno). Tsc tsc... Não é à toa que com toda essa carga ideológica muitas mulheres acabam demorando pra descobrir o que há demais numa relação sexual. Muitas morrem sem saber o que é uma boa gozada nem o porquê das amigas gostarem de sexo! Olhe bem para a foto acima. Os lábios permanentemente úmidos, os olhos semi-cerrados e delineadíssimos, o corpo de violão mais sexy e fotografado da década de 1950... Marilyn Monroe reinou soberana nas telas e nas fantasias masculinas desde 1953, quando fez sua primeira protagonista, no filme Niagara, até a sua morte, nove anos depois. Era o sexo em forma de mulher, não tanto pelas suas personagens, loiras bobinhas e aproveitadoras, mas pela imagem que cultivava. Na ultraconservadora América dos anos 50, na qual a imagem da mulher era a dona-de-casa perfeita de saias rodadas, declarar usar apenas duas gotas de Chanel nº 5 para dormir era como acender o pavio de um coquetel Molotov. De fato, Miss Monroe casou várias vezes, colecionou amantes, era desejada no mundo todo. Mas declarou ao seu analista, em 1961, que nunca conseguira ter um orgasmo. Como? PAREM AS MÁQUINAS! Marilyn Monroe, a mulher que alimentava as fantasias sexuais, capa da primeira Playboy da história nunca tivera um orgasmo. Na época da sua morte, que completa 45 anos no próximo dia 05, a atriz ainda estava se descobrindo, a pedidos do analista, com a boa e velha masturbação. “Nunca chorei tão forte quanto na primeira vez em que gozei de verdade”, declarou ela. Se o mito morreu sem conseguir chegar lá em uma relação a dois, isso não se pode afirmar com certeza. Mas o paradoxo Marilyn ainda é realidade para muitas mulheres. A gostosona da sua vizinha, que atrai todos os olhares com as calças gang justíssimas e decotes na cintura mostrando o corpo esculpido a fome e horas de academia, pode ser pura propaganda enganosa. O que acontece, na verdade, é que com toda aquela coisa do sexo ser visto como pecado, acabamos levando um caminhão de fantasmas para a cama e, com isso, não há relaxa e goza que dê jeito... Junte isso às oscilações hormonais, e todos aqueles males modernosos: ansiedade, fobias, estresse, depressão e aquela conhecida neurose pelo corpo de modelo e pela vida profissional ultra-bem-sucedida... Pobre orgasmo! Como dá as caras desse jeito? Calma, não entre em desespero. Isso passa! Balzac, por exemplo, mesmo lá no longínquo século XIX, já falava sobre as vantagens do amadurecimento: “Uma mulher de trinta anos tem atrativos irresistíveis. A mulher jovem tem muitas ilusões, muita inexperiência. Uma nos instrui, a outra quer tudo aprender e acredita ter dito tudo despindo o vestido. (...) Entre elas duas há a distância incomensurável que vai do previsto ao imprevisto, da força à fraqueza. A mulher de trinta anos satisfaz tudo, e a jovem, sob pena de não sê-lo, nada pode satisfazer”. Em suma: a partir daí é que a brincadeira fica boa! Prova disso são diversas histórias de mulheres que só conseguem experimentar o orgasmo anos após a primeira vez... Francy, por exemplo, casou virgem e apenas nove anos depois do casamento conseguiu saber por que sexo era bom: “Fui ao ginecologista diversas vezes e só tive resultados quando fui encaminhada pra terapia. Minha vida mudou. Percebi que desconhecia totalmente meu corpo, não tinha idéia nem de como era a minha vagina. Passei a me descobrir, a olhar meu corpo e a desenvolver minha sexualidade. Nem sabia o que era masturbação, só descobri aos 32 anos e foi assim que tive meu primeiro orgasmo. Meu marido, ainda bem, sempre me apoiou”. Já Helena, de 54, sempre teve uma boa relação com o corpo. “Nunca tive problemas, adoro sexo. Acontece que, conforme os anos passam, as preocupações diminuem: não há mais medo de engravidar, os filhos também saem de casa, não existem mais aquelas preocupações chatas de “vencer na carreira”, etc. e, com isso, você tende a relaxar e aproveitar cada vez mais. O sexo fica mais duradouro, mais centrado no prazer de dar e receber. Não há tanta pressa com as preliminares, o que conta mesmo é a imaginação. Com tudo isso, é mais fácil de se “chegar lá” ainda mais vezes. O que acontece é que a gente precisa ter mais paciência não só com a ereção, que demora um pouquinho mais, como também com a nossa lubrificação, que com o tempo diminui. Agora imagine um casal de vinte e poucos anos vivendo isso? Ninguém transava mais! Aos 50 não há pressa, só desejo de ser feliz”. É uma questão de manter-se atenta aos sinais do corpo. Para isso, cada período de nossas vidas funciona como uma espécie de escola. Enquanto o pessoal pensa que a juventude é a "época áurea do sexo", a verdade é que com o passar dos anos, as coisas tendem a ser mais satisfatórias, principalmente porque a gente aprende a dar mais a cara a tapa, a errar para mais tarde acertar e a ver o quanto isso é bom, sem inibições. É na maturidade que a mulher se apropria do prazer. * com a colaboração de Lady in White.
Os nomes das entrevistadas são fictícios para preservar suas identidades.

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Uma questão de gozo

Noite de festa... Não estava tocando exatamente o tipo de música preferido de Adriana. Na verdade, estava ali porque não queria ficar só. Como era daquele ritmo que as amigas gostavam, foi junto. O que ela não previu foi a presença de Leandro... Eles já se conheciam. Muito bem, até. Um pouco por conta desse “amplo conhecimento”, andavam se estranhando. E foram àquela festa com o intuito de conhecer gente nova e beijar novas bocas... Leandro estava frio, Adriana fingia indiferença. Ele dançava com uma das amigas, ela conversava com outra. Até que Tati fala: - Dri, o Fernando tá ali! - Sério? Vou lá! Fernando era amigo de tempos, amigo de copo de cerveja, de aulas de matemática no colegial... Nunca teria nada com ele, nem fazia o seu tipo, queria só botar o papo em dia depois de anos sem se encontrarem. E era incrível como parecia que o tempo nunca passava pra eles... Muitas cervejas e cigarros depois, Tati aparece: - Já perguntaram por ti duas vezes. - Sério? Ah, deixa na dúvida... - Eu disse que estavas com um amigo. - Tu és péssima mesmo! Mais de uma hora de sumiço depois, Adriana volta pro meio da turma. Leandro, com cara de ponto de interrogação, puxou-a pra dançar. Ela nem teve reação, meio bêbada que estava depois dos copos de cerveja literalmente entornados com Fernando. Só sentiu que ele a arrastou pro meio do salão, longe da turma, e ao fim da música, num cúmulo de cretinice, soltou: - Eu não sei o que tu tens, Dri, mas não consigo resistir ao teu cheiro... Não se sabe quem agarrou quem, nem como eles foram parar no meio daquele bando de mato... A ação foi rápida: ele baixou um pouco o jeans dela, virou-a de costas e ela sentiu o desejo dele, com força. Mal conseguia se equilibrar naquele misto de sensações confusas, só sabia que era bom demais... Um êxtase atrás do outro, o quê que tava acontecendo? Ah, sim, Leandro sabia como lidar com ela, e era isso que sempre a enlouquecia... O medo de ser pega nem passava por sua cabeça, pelo menos até a hora em que um carro manobrando jogou o farol alto pra direção deles. - Pára, pára tudo! - Como assim? Eu ainda não terminei. - Como assim nada, eu já terminei, vamos embora. Adriana deixou Leandro na mão, mas gozou por todas as antepassadas que “deram uma sem chegar lá”...